Opresente artigo pretende analisar aquilo que poderíamos chamar de o “paradoxo da década de 1920”. Durante esses anos, a economia exportadora cafeeira encontrava-se no seu auge. A política de defesa permanente do café, iniciada em 1924, propiciou a elevação dos preços a níveis que há muito não se via.1 No entanto, os preços altos atingidos pelo principal produto de exportação brasileiro, graças a uma política estatal, não vinham acompanhados de tranqüilidade política. Como se sabe, a década de 1920 foi um dos períodos mais politicamente conturbados da história brasileira. O descontentamento político, contudo, não atingia apenas os setores mais radicais das classes populares (classe operária, as várias revoltas “tenentistas”), como normalmente se pensa. Não se limitava também aos setores dissidentes das “oligarquias regionais” (mineira, gaúcha, paraibana), que, no final da década, estariam à frente da Revolução de 1930. Surpreendentemente, ao lado dessas...

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